Prêmios e Troféus Cineclubistas

Existem vários prêmios criados pelos Cineclubes e por suas entidades representativas do Movimento Cineclubista Brasileiro e este é um tema como muitos outros, dos quais temos poucas informações. Uma grande maioria de entidades e eventos do nosso cinema surgiram por iniciativas das atividades desenvolvidas pelos cineclubes, como foram as cinematecas francesa, uruguaia, a do MAM e a brasileira entre outras. Os festivais de Gramado, Brasília, Guarnicê do Maranhão, Jornada de Cinema da Bahia, Rio Cine Festival, etc. são exemplos disso. Com o advento do cinema digital, o número de Festivais e Mostras criados e geridos por entidades cineclubistas aumentaram significativamente.

Várias dessas atividades citadas acima terminam por deixar suas marcas na história das lutas memoriais da cultura cinematográfica nacional. Essencialmente a atividade cineclubista sempre esteve veiculada com a questão da reflexão do cinema e em particular com a difusão, formação e informação do público.

Seria natural surgir no seio dessa atividade a necessidade do reconhecimento público do objeto de trabalho do cineclube, o filme, conferindo-lhes adjetivos de qualidade, que incorporam valores culturais ao filme, tanto no plano material como no imaterial. Daí a criação de prêmios, troféus, que de alguma forma agrega convicções inestimáveis as obras e aos seus realizadores. Invariavelmente, estes prêmios são dedicados também a personalidades e projetos de entidades, que de alguma forma, contribuem com o desenvolvimento da linguagem do cinema e da cultura cineclubista do país.

A escolha de um nome para um prêmio é motivo para discussões quase intermináveis. Ela se renova a cada instante da escolha de um prêmio a ser outorgado a este ou aquele filme. Um bom nome sempre traz consigo questionamentos que, geralmente, renovam seu significado. Recordamos que a escolha do nome “Macunaíma” se aproximava por demais da essência formadora do povo brasileiro defendida pelos cineclubes da época, 1884. Tinha apenas um, porém, não era o nome de uma obra, originária da cultura cinematográfica e sim da literatura. Nosso decisão naquele momento foi a de que a obra cinematográfica do cineasta e cineclubista Joaquim Pedro de Andrade, resultante da obra literária de Mário de Andrade, justificou nossa escolha.

Para entrega dos troféus, a proposta para a organização dos festivais e mostras, incluía a presença de um diretor do CNC, bancado pelo evento, a inclusão do prêmio nos créditos do festival, o credenciamento de 3 ou 4 cineclubistas locais e eventualmente a participação de um convidado local para participar do júri. Corria por conta do CNC a responsabilidade pela confecção do Troféu, do Certificado e entrega no evento.

ARUANDA

Reza a lenda dando conta da criação do prêmio “Aruanda”, que teria sido criado pelo Conselho Nacional de Cineclubes – CNC -, na década de 1960 para ser outorgado a filmes brasileiros que viessem a contribuir com o desenvolvimento do nosso Cinema e do cineclubismo. O nome seria também uma homenagem ao filme homônimo de Linduarte Noronha, que fora ligado à atividade cineclubista e ao cinema. O filme Aruanda é considerado um dos precursores do Cinema Novo. Desconhecemos registro acerca do prêmio, apenas referências orais a respeito do mesmo. Hoje existe o Fest/Aruanda, ligado com a Universidade Federal da Paraíba.


O PAÍS DE SÃO SARUÊ

Na década de 1970, a Federação de Cineclubes do Rio de Janeiro criou o prêmio “O País de São Saruê”, uma homenagem ao filme de Vladimir Carvalho que fora proibido pela Censura Federal de 1971 até 1979. Este troféu começou a ser entregue num evento promovido pela Federação chamado “mês do cinema brasileiro”, mas depois passou a ser entregue em vários festivais estaduais. Evidente que a homenagem é extensiva a Vladimir Carvalho, cineclubista por essência, militante da causa da liberdade, onde o trabalho do homem encontra nele um defensor.


MACUNAÍMA

Em 1984 a Diretoria Executiva do CNC criou o troféu “Macunaíma”, uma referência ao livro de Mário de Andrade e ao filme de Joaquim Pedro de Andrade. Este troféu foi entregue em diversos festivais do Brasil. Todos os filmes que foram agraciados com este troféu, creditaram no início de sua apresentação o nome do troféu, figurando assim como uma espécie de “selo de qualidade”, de valor simbólico imensurável, agregado ao conteúdo do filme. O troféu foi criado pelo artista plástico Franco.


CURUMIM

“O Prêmio Curumim foi instituído em 1966 com o objetivo de premiar e incentivar o cinema nacional na personalidade do diretor do filme, verdadeiro artesão da obra”. O Curumim foi entregue durante vinte anos, de 1966 a 1985, sempre no mês de outubro e foi criado como parte das comemorações de aniversário do Clube de Cinema de Marília, para premiar o diretor de melhor filme nacional exibido na cidade no período de julho a junho do ano seguinte. Este prêmio se tornou conhecido e respeitado pela seriedade devido ao processo de escolha, onde participavam através de votação os diretores do Clube, associados e pessoas da comunidade.

Alguns diretores agraciados pelo Prêmio Curumim: Roberto Santos, Sérgio Ricardo, Domingos de Oliveira, Nelson Pereira dos Santos, Arnaldo Jabor, Bruno Barreto, Hector Babenco, Luís Sérgio Person, Tizuka Yamazaky, entre outros e outras.


DOM QUIXOTE

Dom Quixote, é o prêmio outorgado pela Federação Internacional de Cineclubes – FICC – em diversos festivais de cinema espalhados pelo mundo. O objeto físico que o representa, é um diploma confeccionado com o papel timbrado da entidade. Sua importância está na simplicidade do gesto, carregado de valores culturais, que funciona como um Selo de qualidade que, agregando ao filme, este adquire valor inestimável, elevando-o a categoria de obra de arte perene.

Por diversas ocasiões, o CNC entregou este troféu em festivais brasileiros como a Jornada de Cinema da Bahia, Festival de Atibaia e o Festival de Gramado. Vários filmes brasileiros foram agraciados com este troféu em concursos internacionais.

Em Havana, Cuba, a artista plástica Olimpya Ortiz Porcegue todo ano confecciona uma obra diferente que é entregue ao diretor do filme ganhador.

Registra-se que a logomarca da FICC é representado pela “pomba cinematográfica”, criada por Pablo Picasso, adquirindo assim maior importância a este certificado.


LUIZ ORLANDO DA SILVA

Em 2006, o Centro Cineclubista de São Paulo criou o troféu Luiz Orlando da Silva, homenagem póstuma a um dos grandes cineclubistas do país. Este troféu é entregue em Festivais e Mostras de Cinema Brasileiro. O troféu foi criado pela Desingner Joeane Alfer.


PAULO EMÍLIO SALLES GOMES 

Criado e entregue pela então diretoria do CNC, gestão 2008/2010, durante a jornada de Moreno, PE, em 2010, e no Festival de Atibaia no período seguinte, tendo sido outorgado a Silvio Tendler, Geraldo Moraes, entre outros. 

Em 1965, por ocasião da 5ª Jornada Nacional de Cineclubes, realizada em Salvador, o CNC criou o “Festival do Filme Brasileiro de Curta-Metragem”. A segunda edição ocorreu em Fortaleza durante a 6ª Jornada e a 3ª realizou-se em Brasília em 1968. Nesta ocasião, a censura proibiu três filmes. Cineclubistas e cineastas enfrentaram a Polícia exigindo a suspensão do veto aos filmes: Instantâneo 65, 1967, de Vera Lúcia e Carlos Prates; Opção 1968, de Lívio Cintra e Aleluia, 1968, de Schubert Magalhães. O que seria uma sessão de cinema transformou-se numa assembleia popular. A censura não voltou atrás e os organizadores do festival não deram continuidade ao evento. Resultado: o então presidente do CNC, Geraldo Sobra e o cineasta e cineclubista Leon Hirszman, reza a lenda, cotado para ser o próximo presidente do CNC, saíram fugido de Brasília com a Polícia Federal em seus encalços. 

Não encontramos registro dando conta do nome do prêmio outorgado aos filmes vencedores nas três edições do mencionado festival.

Pensamos ser de fundamental importância à criação e/ou reativação de um prêmio do CNC, a ser entregue em festivais, mostras, jornadas, festivais e mostra do audiovisual brasileiro. Sua outorga deve ser criteriosa a tal ponto que vire um selo de qualidade dos cineclubes ao filme que melhor contribua com o desenvolvimento da linguagem, do cinema e do cineclubismo.

História do Prêmio São Saruê,

ou
Crônica de um trabalho louco.