PUBLICAÇÕES CINECLUBISTAS

É bem possível que a revista  fanzine “O FAN”, órgão oficial do Chaplin Club, fundado em 13 de junho de 1928, ainda seja uma das publicações mais citadas entre as publicações cineclubista do país.

Da década de vinte ao início da década de sessenta, os cineclubes vão conhecer grandes críticos cinematográficos, ligados às suas atividades. São conhecidas as ações desenvolvidas por teóricos como Paulo Emílio Salles Gomes, Almeida Salles, ambos do “Clube de Cinema de São Paulo”; Alex Viany do “Clube de Cinema da Faculdade de Filosofia do Rio de Janeiro”; Walter da Silveira do “Clube de Cinema da Bahia”; Paulo Fontoura Gastaldi do “Clube de Cinema de Porto Alegre”, Humberto Didot, do “Cineclube Pro-Deo” de Porto Alegre, Maurício Gomes Leite, Paulo Augusto Gomes, do Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais, Jean-Claude Bernardet, Gustavo Dahl, Maria Rita Galvão, Lucila Ribeiro Bernardet, do cineclube “Dom Vidal”, entre outros tantos. 

Sob a direção de Paulo Emílio Salles Gomes, a Cinemateca Brasileira, edita uma série  de publicação chamada: “Cadernos da Cinemateca. A de número 3, de autoria de Rudá de Andrade, traz uma Cronologia Cineclubista, dando conta dos cineclubes e entidades culturais que foram criadas, a começar pelos primórdios, em 1917, com o Cineclube Paredão, indo até o final dos anos de 1960. Os cadernos não eram exatamente uma publicação cineclubista, no entanto esta edição firma compromisso com a memória da atividade dos cineclubes.

Se não todos, mas quase todos os cineclubes tinham no passado seu “Boletim Informativo”, assim como hoje os cineclubes têm sua página no Facebook, Blogs, Site, Instagram, do grau de organização de cada um. A periodicidade e abrangência de suas respectivas pretensões, via de regra, contempla basicamente a divulgação da atividade do próprio cineclube.

Já os “Boletins Informativos” das Federações estaduais e do próprio Conselho Nacional de Cineclubes – CNC -, alargava a discussão abrangendo não só a atividade dos cineclubes e de suas representações, mas questões internas do Movimento e da política cinematográfica do país. 

Na década de sessenta, Marcos Farias criou na Federação de Cineclubes do Rio de Janeiro o Boletim informativo chamado “Cineclube”. Este nome seria adotado mais tarde pelo CNC, e manteve-se até o final do século passado. Sua linha editorial tinha a pretensão de ser uma ferramenta de comunicação e informação da entidade com seus filiados, debatendo principalmente as questões da política cineclubista de modo geral.

Na primeira metade da década de setenta a mesma Federação do Rio de Janeiro, criou o jornal “Ganga Bruta”, em formato tabloide, declarada a merecida homenagem a Humberto Mauro, tinha como editora Ana Pessoa e Fernando Molica, como jornalista responsável. Uma publicação arrojada, que competentemente dinamizava o debate no Movimento Cineclubista, procurando aliar à atividade do cineclubismo a política do cinema brasileiro da época.

O Clube de Cinema de Porto Alegre edita a revista “Moviola”, que sobrevive até os dias atuais, assim como o clube. Agora na versão digital, Moviola é uma revista aliciante, com editoração arrojada, atual, competente e bem informada. A revista tem estética!

No início dos anos de 1980, o Cineclube de Maringá/PR publica o seu “Boletim Informativo”, formato A-3, com edições variando entre 04 a 08 páginas. Sua abrangência estava restrita ao estado do Paraná, editado por José Gil de Almeida e Paulo Petrini. O Boletim tinha suas pretensões ampliadas para o campo cultural de modo geral.

 Também no final da década de setenta a Federação Mineira tinha seu “Boletim Informativo” chamado “Montagem”, cujas propostas editoriais esboçaram uma tendência do cineclubista, mais aliado às questões estéticas e de linguagem cinematográfica. O desejo era mais o de realizar filmes e produzir reflexões do que exatamente a de um cineclubismo mais voltado para a difusão cinematográfica. O Montagem sustentou disputa ideológica acirrada com a direção do CNC e construiu cineclubes combativos contra a censura e pelas liberdades democráticas, como era prática do Movimento Cineclubista da época.

A Federação de Cineclubes do Espírito Santo mantinha seu “Boletim Cineinformação”, bem estruturado, voltado para o desenvolvimento dos cineclubes no Estado e bem aliado com a política do Movimento Nacional. 

A Federação Paulista de Cineclubes, além do seu “Boletim Informativo”, chegou a produzir, mas dois subprodutos literários, um Boletim chamado “Pião”, que depois passaria a chamar “Zoombi”, ligados a Comissão de Cineclubes da Periferia. Embora nunca discutida, estava presente em materialidade, no cerne hegemônico do cineclubismo brasileiro, a questão da “luta de classe”. O Outro informativo era em parceria com todas as Federações e CNC, o “CA-DINA”, Boletim Informativo da Dinafilme, que procurava divulgar prioritariamente as informações do acervo da distribuidora e sua política de gestão colegiada.

Em 1981 a Federação Paulista em conjunto com o CNC edita em formato Tablóide, o jornal “Cine Debate”, com oito páginas, escrito somente por Felipe Macedo, que visava preparar os cineclubes para discutirem o temário da XIV Jornada Nacional de Cineclubes. Um ano depois saiu outra edição visando a realização da jornada seguinte e findou em 2 edições. 

Nos anos de 1984/86, a diretoria do CNC, gestão Movimento/Ação, lança o jornal “Imagemovimento”, 16 páginas, em formato de tablóide, tendo como editor Diogo Gomes dos Santos, Jairo Ferreira como jornalista responsável e Diomédio Morais, hoje Piskator, como secretário de redação. A linha editorial do Jornal procurou alargar a pauta dos cineclubes para a discussão do cinema brasileiro na sociedade.

Em 1988, a então gestão do CNC para comemorar os 60 anos de cineclubismo no país, tendo como data referência o “Chaplin Club”, lança uma edição comemorativa da efeméride, um jornal de edição única, em formato tablóide, com 16 páginas.

O Cineclube Bixiga edita em São Paulo, 1982, o seu boletim que trazia a programação com informações básicas dos filmes e uma vez ou outra publicava uma crítica residual relativa a um filme programado. Houve uma tentativa de criar uma revista, no formato A-5, denominada “Cinequanon”. Foram publicados três números.

O Cineclube Estação Botafogo, no Rio de Janeiro, profissionalizou sua divulgação, criou a revista “Tabu”. Em São Paulo ganha outro nome: “Cinema”. Esta, com certeza foi a publicação que teve maior duração, embora seja discutível seu caráter estritamente cineclubista. A linha editorial era calcada nos filmes programados nas salas de exibição comercial do “Cineclube Pau Brasil”, marca fantasia e mantenedora do Estação Botafogo no Rio de Janeiro e “Espaço Unibanco”, hoje Itaú em São Paulo.

A partir de 1981 com a realização da 15ª Jornada de Campo Grande, 16ª Piracicaba, 1982, 17ª Petrópolis, 1983, 18ª Curitiba, 1984 e 19ª Ouro Preto, 1985, foram publicados os “Anais da Jornada”, um livreto no formato A5, contendo as deliberações de cada jornada.

O Grupo Cineclubista Tietê Tietê, em parceria com a Federação Paulista de Cineclubes, editou uma série com 3 edições chamada “Cadernos de Cineclube”, livreto no formato A5, sobre a organização administrativa de um cineclube: “Organizando um Cineclube”; “Memória do Cineclube” e “Programação”.

Em novembro de 2003, por ocasião da 23a Jornada Nacional de Cineclubes, com 42 páginas, é lançada a Revista CineclubeBrasil, pelo Centro Cineclubista de São Paulo, tendo Diogo Gomes dos Santos como editor, Oswaldo Faustino como Jornalista responsável, Cacá Mendes como Secretário de redação e Joseane Alfer, Diretora de Arte, design e editoração. Foram editados 10 números, 4 impressos e 6 digitais.

 O objetivo principal da revista foi naquele processo de rearticulação do Movimento Cineclubista, ser um canal de comunicação e de troca de informações, resgatando a memória do que foram os cineclubes no século passado e discutindo o que poderíamos vir a ser no presente. Trazer o eixo do debate cineclubista para as questões do seu cotidiano naquele momento, foi fundamental. 

Esta modesta arqueologia sobre estas parcas publicações cineclubistas, esforça-se para contribuir com o resgate da memória do cineclubismo brasileiro e deixa aberta a necessidade de novas contribuições que possam, no decorrer do tempo, receber outras narrativas, passar por novas modificações, que com certeza, virão. Ela tem a pretensão de contemplar as publicações impressas, restritas ao campo literário com informações e reflexão de seu tempo, podendo ser atualizadas e completadas com novas contribuições.

Deixar uma resposta