NOSSA HISTÓRIA

A criação do CNC

A criação de uma entidade nacional concretizou um sonho que vinha sendo acalentado desde a década de 1950, principalmente por Carlos Vieira, não só pela sua vontade pessoal, mas também por forte inspiração das ações desenvolvidas no campo da difusão cinematográfica pela igreja católica, na época, liderada pelo então Arcebispo e depois Cardeal Dom Helder Câmara, primeiro a promover em nosso país as “Jornadas Católicas de Cinema¹”.

A II Jornada de Cine-Clubes Brasileiros² realizada em Belo Horizonte em 1960, deliberou que a plenária da III Jornada, que ocorreria no Rio de Janeiro em 1961, examinasse as possibilidades de criação de uma entidade nacional. Não resolvida a questão, foi a plenária da III jornada que deliberou favoravelmente pela criação do Conselho Nacional de Cineclubes, mas a decisão de sua fundação coube a outra plenária, esta formada pelas Diretorias das entidades estaduais, convocada pelo Centro dos Cineclubes de São Paulo.

Naquela altura dos acontecimentos, 1961, já existia três Federações Estaduais de Cineclubes: Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, além do Centro dos Cineclubes de São Paulo, que representava os cineclubes do Estado e vinha exercendo na prática a coordenação nacional das atividades cineclubistas. 

A discussão em torno da criação da entidade nacional já tinha sido agendada, discutida, protelada, a ponto da deliberação da III Jornada soar, até certo ponto, como uma espécie de ultimato para que a questão fosse, enfim, resolvida. 

Além da natureza e objetivos, vários nomes foram objeto de discussão: Federação Nacional de Cineclubes, União de Cineclubes Brasileiros e finalmente Conselho Nacional de Cineclubes, esta última nomenclatura surgiu como proposição feita em forma de moção pelo Cineclube do GEC (da União Municipal dos Estudantes – RJ) e do Clube de Cinema do Rio de Janeiro, em apoio a uma proposição do Cineclube de Nova Friburgo/RJ. O Cineclube do GEC era na época, representado por Cosme Alves Neto, cineclubista  de Manaus, vindo para o Rio de janeiro e lá se converteu em uma das personalidades mais importantes, admirada, respeitada, querida e amada, pelos amantes do cinema, por seus relevantes serviços prestados ao cineclubismo e ao cinema brasileiro, principalmente quando a frente da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM.

A fundação do Conselho Nacional de Cineclubes foi precedida de grande cobertura jornalística, principalmente de São Paulo, Porto Alegre e do Rio de Janeiro. O jornal O Estado de São Paulo anunciou no dia 25 de maio de 1962: “Está marcado para amanhã às 14 horas, na sede da Cinemateca Brasileira, no Parque do Ibirapuera, Portão 5, uma assembléia geral, convocada pelo Centro dos Cine-Clubes do Estado, de quem é presidente o Sr. Carlos Vieira”, visando a fundação do Conselho Nacional de Cineclubes, a quem caberá coordenar todas as atividades dos cineclubes do país. Na época, as Jornadas não tinham caráter deliberativo, funcionavam como uma espécie de fórum. Quem votava na Assembleia do CNC eram as federações estaduais e o voto por procuração era admitido.

A matéria informa que estavam presentes as Federações de Cineclubes de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. A edição do dia 02/06/62 do jornal O DIA de Porto Alegre, anuncia a presença de: “Carmem Gomes, Federação de Cineclubes de Minas Gerais; Walter Pontes, Federação de Cineclubes do Rio de Janeiro; Carlos Vieira do Centro de Cineclubes de São Paulo; Olavo Macedo de Freitas, Federação Gaúcha de Cineclubes; Rudá de Andrade, Maurice Capovilla, Paulo Emílio Salles Gomes e Ilka B. Laurito, da Cinemateca Brasileira; Maurice A. Legeard, Clube de Cinema de Santos; Edgar Carone, Clube de Cinema de Botucatu, Ailton Oliveira e Roberto Cimino, Clube de Cinema de Marília; Roberto Durço, Clube Avareense de Cinema; Pe. José López, SJ, Cineclube 3 de Dezembro; Heitor Contrucci, Assessor do Centro de Cineclubes de São Paulo; Pe. Massote, Assessor da Federação de Cineclubes de Minas Gerais e o Foto Cine Clube Bandeirantes de São Paulo”.

O Jornal A Folha de São Paulo, edição do dia 28 de maio de 1962 anuncia também que a assembleia, após a aprovação dos estatutos elegeu a Diretoria Executiva e “foi proposto um voto de aplausos ao filme O Pagador de Promessas e outro ao Centro Popular de Cultura da UNE, pela realização do filme Cinco Vezes Favela. (Grifos do autor).

Na edição de 03/07/62 do jornal “O Estado de São Paulo”, refere-se ao Conselho como sendo um “organismo destinado a congregar as Federações Brasileiras de Cineclubes… deverá coordenar todas as reivindicações cineclubistas, estimular a união no movimento de cultura cinematográfica e organizar os próximos congressos… além de representar o Brasil na Federação Internacional de Cineclubes…”. Segundo Carlos Vieira, primeiro presidente da entidade, “a constituição do Conselho representa um certo amadurecimento na cultura cinematográfica brasileira, que começa a se desenvolver do Norte ao Sul do país, principalmente graças aos esforços estudantis e clericais”.  

A Cinemateca Brasileira que vinha ajudando as atividades dos cineclubes reforça a linha de atuação que o Conselho vinha adotando até então, de apoio à cultura cinematográfica, como sendo de absoluta imparcialidade, apoiando todos os cineclubes existentes, os nascentes e espera ampliar a circulação dos filmes e documentos pelo país.

O primeiro documento oficial da nova entidade foi um ofício para o Ministro da Educação e Cultura, Sr. Darcy Ribeiro, hipotecando-lhe irrestrita solidariedade pelo Plano de Emergência em favor da cultura nacional, salientando que as Federações de Cineclubes existentes, já produziram “recursos audiovisual e construção de material didático”, sobre “Cinema e Educação, Cinema e Infância”, e vem “oferecer colaboração para efetivação de iniciativa edificante para o país”.(Grifo do autor).

A primeira Assembleia Geral Ordinária do Conselho foi realizada nos dias 23 e 24 de janeiro de 63, no Clube de Cinema de Santos, constando da pauta os preparativos para a V Jornada Nacional de Cineclubes que ocorreria em Salvador, onde teria uma mesa redonda em homenagem ao cinema baiano, com a presença do produtor Rex Schindler do crítico de cinema Walter da Silveira do Clube de Cinema da Bahia. Esta iniciativa se converteu no primeiro curso denominado: “Estágio para Dirigentes Cineclubistas do País”. Também na V Jornada, aconteceu a primeira edição do Festival do Filme Brasileiro de Curta-Metragem criado pelo CNC naquele ano (Grifos do autor).

O Conselho Nacional de Cineclubes foi fundado no dia 26 de maio de 1962. A primeira diretoria executiva ficou assim constituída: Presidente Carlos Vieira (SP); Diretor da Assessoria Geral Walter Pontes (GBA – Estado da Guanabara³); Diretora da Assessoria Cultural Carmem Gomes (MG); Diretor da Assessoria Fiscal Olavo Macedo de Freitas (RS).  O registro foi feito no 8º Cartório de Registro de Títulos e Documentos, 3º ofício, registrado sob nº 9619, livro de nº 5 de registro de pessoas jurídicas, no dia 13 de julho de 1963.

As jornadas se tornaram um evento revestido de grande importância para o CNC, pois além de tratar das questões dos cineclubes, suas realizações eram constituídas de grandes eventos cinematográficos, como foram as Mostra do Cinema Expressionista alemão, ocorrido na primeira jornada, e os primeiros filmes da já barulhenta Nouvelle Vague, ocorrida por ocasião da segunda jornada.  

¹ – Jornal O Estado de São Paulo”, Suplemento Literário, 15/12/1956

² – Nome das três primeiras Jornadas, somente depois da quarta Jornada, após a criação do CNC, foi que as Jornadas 

    receberam a nomenclatura de “Jornada Nacional de Cineclubes”.

³ – A fusão do Estado da Guanabara com o Rio de Janeiro foi implementada em 1975.

Diogo Gomes dos Santos

Cineclubista, Cineasta, Historiador

Diretor Tesoureiro do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros, gestão 2019/2023.

DIRETORIA

Terezinha Lúcia Avelar (Tetê Avelar)

Presidenta

Professora da Educação Infantil, do Ensino Fundamental e Ensino Médio. Geógrafa.
Presidenta do CNC – Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros.
Coordenadora do Cineclube Joaquim Pedro de Andrade e do Cineclube Uma Tela na Minha Rua
Diretora no Sinpro Minas – Sindicato dos Professores de Minas Gerais.
Secretária de Cultura da CTB-Minas- CTB- Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil,
Conselheira no COMUC- Conselho Municipal de Cultura da PBH.
Fundadora do bloco de carnaval Bloco da Saudade em BH.
Coordenadora da Rede de Enfrentamento a Violência contra a Mulher/MG também pela CTB,
Atualmente presidenta do CMDM- Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres /PBH pela CTB- Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

Francisco Javier Lillo Biagetti

Vice-Presidente

Licenciado em Educação pela Universidade de Tarapacá de Arica (Chile) e em Letras (Português e Espanhol) pela Universidade Estácio. Mestre em Ciências Sociais com especialidade em Comunicação Social pela Universidade Arcis (Santiago, Chile). É professor de Ciências Sociais e de Espanhol e desenvolve um trabalho dedicado à integração do cinema e a educação. Sua primeira experiência como Cineclubista foi a criação do Cineclube Universitário na cidade de Arica no norte do Chile, na Universidade Tarapacá em 1994. Em Goiânia criou o Cineclube Sinpro do Sindicato dos Professores de escolas particulares em 2013 e no ano seguinte o Cineclube Imigração, onde milita até hoje. Membro fundador e coordenador da União de Cineclubes de Goiânia, desde 2016, e membro do Conselho fiscal da União de Cineclubes de Goiás em 2020 e eleito na nova diretoria como Vice-Presidente do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros, em Viçosa em 2019.

Marinêz Fernandes

Segunda Secretaria

Gerente de Projeto, especialista em elaboração de projetos e Leis de Incentivo: Lei Federal de Incentivo Fiscal, Lei de Incentivo ICMS (RJ, SP, MG). Assessoria Técnica da Fundação Educacional de Volta Redonda RJ, Coordenação do Teatro Municipal Maestro Franklin de Carvalho Jr (FEVRE); Captadora de Recursos Associação Cultural para Desenvolvimento de Tecnologias Humanas. Membro do Conselho Nacional de Políticas Culturais CNPC. Membro da Diretoria da Federação Fluminense de Rugby- Atual. Parecerista Cidade do Rio de Janeiro Lei Aldir Blanc. Curso de Cineclubista, Tiradentes MG, Festival de Cinema; Participou da 30° Jornada Nacional de Cineclubes Viçosa, MG, UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA. Coordenação Geral da área de Audiovisual Instituto Dagaz, 2019/2023. Gerente de Projetos da Prefeitura Municipal de Volta Redonda, RJ; Conselheira Conselho Estadual de Cultura Rio de Janeiro representação Regional Médio Paraíba.
Gestora de Cultura, MBA em Gerenciamento de Projetos Fundação Getúlio Vargas; Extensão Formação Política e Cidadania (UFF, Caritas Brasil, FGV); Curso de Gestores e agentes Culturais Fundação CECIERJ. Curso de Extensão, Avaliação Econômica de Projetos Sociais; Competências Sócio emocionais para o Século XXI; 11° Seminário Itaú Internacional de Avaliação Econômica de Projetos Sociais, São Paulo. Curso de Extensão: Os Direitos da Criança e do Adolescente, uma Construção Histórica Itaú Social, UNICEF; Fundo das Nações Unidas para a Infância e o CENPEC- Centro de Estudo e pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária; Curso de Extensão, Comunicação de impacto em Organização da Sociedade Civil -Instituto de Tecnologias e Sociedade do Rio de Janeiro. Especialização em História da Arte, PUC, SP; Curso de Formação foco na Cultura da Infância e Cultura Popular; Circulo Brincante – Instituto TEAR – RJ, Curso de Gestão; Representação Conselho Nacional de Políticas Culturais Biênio 2012\2014; Setorial de Teatro Representação Estado do Rio de Janeiro; Parecerista Ministério da Cultura, Membro integrante do Comitê de Conferência Estadual de Cultura; Gestora Fundo estadual de Cultura Rio de Janeiro; 2ª Secretaria do Conselho Nacional de Cineclubes.

Diogo Gomes dos Santos

Tesoureiro

Mestrando em Estética e História da Arte/USP, Graduado e Licenciado em História pela UNICASTELO (2007/2010); pós graduado-graduado em Estudos Literários pela Anhanguera Educacional (2011).
Diretor Tesoureiro do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros – CNC -, e Delegado do CNC na Federação Internacional de Cineclubes.
Cineclubista desde 1977, seu primeiro cineclube foi o “Capitães D’Areia”, depois participou do Grupo Cineclubista Tietê Tietê, que coordenava dois cineclubes, o “Tatuapé” e Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo e foi um dos fundadores do Cineclube Bixiga. Foi presidente da Federação Paulista, 1981/2 e do Conselho Nacional de Cineclubes, 1984/86, Administrador Nacional da Dinafilme 1982/1985. Foi uma das lideranças que rearticulou o Movimento Cineclubista em 2003, um dos fundadores do Centro Cineclubista de São Paulo e seu primeiro presidente.

Estrutura do Movimento Cineclubista no Mundo

O cineclubismo está organizado em mais de 77 países, reunidos na Federação Internacional de Cineclubes – FICC. Podemos descrever assim a árvore genealógica do Movimento cineclubista no Brasil e no mundo.

No Brasil: Cineclubes:

Entidade que está na base da pirâmide do cineclubismo. 

Entidade Representativas por Estado:

Federações, Associações, Coletivos, Comissão Pró-federação ou Associação, estaduais que visam representar os cineclubes por Estado Brasileiro, incluindo o Distrito Federal. 

Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros – CNC:

Entidade de representação nacional dos cineclubes e das entidades representativas dos cineclubes brasileiros. 

OBS: O CNC só reconhece somente uma entidade de representação de cineclubes por  Estado Brasileiro. Um cineclube que esteja localizado num Estado onde não tem uma Federação, Associação ou Comissão, este cineclube deve filiar-se diretamente ao CNC. Uma entidade representativa de um Estado só pode filiar um cineclube de outro Estado, se tiver amparada por decisão da Assembleia Geral do CNC.

No mundo: Federação Internacional de CineclubesFICC.

Na estrutura internacional, o CNC é membro filiado da FICC.

Na estrutura da FICC, além da sua Diretoria Executiva, existem as Secretarias que representam cada continente. Sua função é a de intermediação entre as entidades nacionais e a entidade Internacional de Cineclubes. Cada continente tem sua Secretaria. É o caso da Secretaria para América Latina e o Caribe. Atualmente esta Secretaria está representada pelo Equador, tendo como titular, Laura Godoy e Antônio Claudino de Jesus, do Brasil, como vice-secretário.

Na assembleia da FICC, vota as entidades nacionais por país membro e cada uma tem direito a um voto.

No Brasil, cada cineclube tem direito a um voto nas decisões das Federações, Associações, Comissões Pró-Federação e na Assembleia Geral do CNC.

Nas Assembleias do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros quem vota são os cineclubes. As entidades representativas estaduais ou regionais não têm direito a voto.